Arqueologia dos Subalternos: Projeto Sítio Escola Engenho do Murutucu

 

O sítio arqueológico Engenho do Murutucu é um conjunto de remanescentes materiais que propiciam um estudo ao longo prazo de transformações ocorridas em toda a sociedade amazônica no período colonial e pós. Durante seus mais de trezentos anos de ocupação, o Engenho do Murutucu foi palco de vivencia dos mais diferentes grupos sociais, étnicos, de gênero e geração, como padres, senhores e senhoras de engenho, escravos indígenas, escravos africanos, personalidades históricas, militares e grupos revoltosos, entre outros. O projeto visa estabelecer no local um programa de investigação acadêmica em arqueologia histórica, onde através da pesquisa de longa duração dos seus remanescentes materiais seja possível o estudo dos espaços e vestígios da vivência dos diferentes grupos que compunham os cotidianos do engenho. Para isso, serão realizadas pesquisas arqueológicas históricas nos locais de moradia e trabalho relacionados a estes diferentes grupos, assim como o estudo dos remanescentes da cultura material relacionados direta ou indiretamente a estes grupos. Outro ponto importante deste projeto será enquanto palco para a prática da arqueologia histórica por alunos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará PPGA/UFPA, e demais instituições na região. As atividades práticas da arqueologia histórica tanto em gabinete, como em campo, e em laboratório são ações fundamentais para o treinamento e especialização de alunos nesta área na Amazônia. E no caso do Murutucu pode ser associada com a exploração científica do engenho e a instalação no local de um sítio-escola em arqueologia histórica, primeira etapa para um plano de gestão mais completo na área.

Arqueologia Urbana Luso-Brasileira: Belém, a primeira cidade portuguesa na Amazônia

 

Devido à imensa herança histórica e cultural das cidades coloniais portuguesas torna-se necessário um estudo mais sistemático de arqueologia urbana sobre a formação de alguns exemplos de cidades brasileiras. O presente programa de trabalho trata disso, propondo uma pesquisa do ponto de vista da arqueologia urbana sobre a cidade de Belém do Pará. A estreita relação de cidade com o porto, a divisão inicial da cidade em duas partes, a paisagem de domínio e referencia das edificações notáveis, e a relação do seu traçado com as condições físicas do terreno são heranças do urbanismo português que permaneceram na cidade até hoje. Por outro lado Belém também é um exemplo do ideário da regularidade do período, com quarteirões planejados ortogonalmente, praças dispostas geometricamente com edificações institucionais, e padronização das fachadas que são características marcantes deste planejamento português na Amazônia do início do século XVII.

Cultura Material e Sociedade: Arqueologia Histórica na Amazônia

 

A arqueologia na Amazônia vem de uma longa tradição com mais de 150 anos de investigações, porém seu maior foco de estudo tem sido a pré-história da região. Por outro lado, as pioneiras pesquisas realizadas em sítios arqueológicos do período histórico na área têm sido orientadas por preceitos cronológicos e tecnológicos, e a sua maioria em sítios religiosos e militares. Desta forma, este projeto pretende introduzir uma perspectiva antropológica sobre os sítios históricos amazônicos, não somente como outra abordagem, mas também uma necessidade frente ao enorme patrimônio encoberto. O projeto aqui proposto tem por intenção contar a outra parte desta história, uma história que não está só nos relatos oficiais, mas presente também nos documentos esquecidos, na memória ignorada, nas ilustrações decorativas e principalmente na cultura material do cotidiano de pessoas comuns, que muitas vezes negligenciada é referente há diversos eventos, conjunturas e estruturas históricas. Esta história que arqueologicamente pode ser escrita é a história dos segmentos periféricos ou marginais da sociedade. Segmentos estes, que através de lutas de resistências ou estratégias de assimilação, ajudaram a formar a sociedade amazônica que hoje ocupa um espaço ecológico singular.

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